Resoluções de ano novo, de fim de ano, de vida nova
Mudei de casa, de cidade. Pela
primeira vez, depois de ter noção do mundo, eu perdi as minhas referências e
tive que criar outras. Ainda não as criei por completo. Estou em fase de
adaptação.
Na minha nova cidade, vivo como
se estivesse de férias, mesmo trabalhando (muito!) todos os dias. É que ainda
me sinto uma estrangeira. Até mesmo dentro da minha própria casa! A casa é
minha, eu pago o aluguel em dia, mas não sinto nela um lar. Não é nem pelas
paredes que tem a cor que eu não gosto e nem é porque não tive dinheiro e
disposição para pintar. É porque não faço todas as refeições nela. Refeição em
casa, faz da casa um lar. Sempre achei isso.
Foi na minha nova cidade, na casa que é um
apartamento, que eu realizei um sonho da infância: morar sozinha. Cresci dizendo
que teria que morar sozinha para me conhecer melhor e ter a liberdade para querer
compartilhar, ou seja, pensar em casar e ter filhos. Passei a minha adolescência
inteira montando a minha casa todas as vezes que ia ao shopping. Fazia o
orçamento (aloka!) dos móveis e calculava o tanto que teria que trabalhar para
bancar uma casa sozinha. Da casa em si, eu só fiz orçamento uma vez e fiquei
tão horrorizada que ainda hoje tenho medo de nunca conseguir comprar uma para
mim. Comprar uma casa, que é um apartamento, é meu próximo passo largo.
Na minha nova vida, eu passei a
dormir sozinha, comer sozinha, na hora que eu quisesse, sem ter que dar
satisfações. Tardiamente eu saí da adolescência. E a vontade de não ter ninguém
na minha cola fez com que eu compartilhasse meu telefone residencial com apenas
quatro pessoas: minhas duas irmãs, minha mãe e a mãe do meu ex-namorado. Telefone
fixo faz da casa um lar. Sempre achei isso. Nesse quesito, tenho um lar.
Na minha nova vida, eu mantive
muitos vícios da vida antiga. Mesmo buscando a minha independência eu caí na
comodidade/desconforto da dependência. Eu não consigo fazer tudo sozinha, mesmo
algumas coisas sendo bem simples. Então eu recorri, muitas vezes, aos amigos.
Eu passei mal uma vez e liguei para pedir socorro. Precisava de comida e
remédios. Errei. Uma pessoa independente deve ter em casa um analgésico. Eu não
tinha e não tinha comida e não tive coragem de pedir um táxi e ir a uma farmácia.
Eu fui socorrida com uma quentinha e um remédio para enxaqueca. Eu tenho muita
sorte de ter pessoas boas por perto, mas eu preciso aprender a ser sozinha.
Sozinha de verdade.
Para eu ter, de verdade, uma vida
nova eu preciso mudar algumas/muitas coisas. Eu decidi não esperar pelo ano
novo. Comecei as mudanças assim que retornei para a minha cidade referência. O
primeiro passo foi: pode repicar, faz camadas nas laterais e atrás. Permiti meterem
a tesoura nos meus cabelos, mas aí no meio do processo eu vi que estava sendo radical
demais. Ó, não faz camadas atrás não, deixa só nas laterais. Saí do salão com a
certeza de que sou indecisa e morro de medo de mudanças e aí só para me testar
resolvi pintar os cabelos, mas da mesma cor que pinto há dez anos. Não é
insegurança, é a certeza de que essa cor valoriza os meus traços. A segunda
mudança foi comprar livros sobre fotografia. Vou aprender a fotografar. Já sei
qual câmera comprar e vou comprá-la no mês que vem, junto com a minha bicicleta
que eu já fiz o orçamento e que vai ser adaptada ao meu conceito de conforto,
segurança e estética. Encomendei também um smartphone top de linha. Pela
primeira vez na vida vou investir muito dinheiro em um celular. Mas me
convenceram que não é apenas um celular. E foda-se, esse é um passo que devo
dar sem medo: parar de ter culpa. O dinheiro é meu, eu trabalhei honestamente
para consegui-lo e vou gastá-lo com futilidades sim!
Na minha vida nova, terei também
uma caixa de ferramentas com furadeira e tudo o que eu tiver direito. Terei
menos medos, menos culpas e menos apego. Na vida nova, que já começou, terei o
mesmo empenho, o mesmo carinho, o mesmo zelo, mas terei mais pés no chão.
Deixando as raízes crescerem apenas quando forem devidamente bem nutridas.
Nessa nova etapa, as prioridades serão a minha paz e o meu conforto físico,
mental, espiritual.
Vou adaptar o que um querido me
disse e vou continuar seguindo à risca: O importante é gostar e respeitar. O
resto é ansiedade.
Que em 2014 as coisas continuem
melhorando para mim. E para você!
